A Coordenadora das Mulheres em Situação de Violência Doméstica e Familiar (Comsiv) do Tribunal de Justiça do Acre (TJAC), desembargadora Eva Evangelista, recebeu nesta quarta-feira, 23, o Diploma Bertha Lutz, em sessão solene no Senado.
A honraria é entregue anualmente a mulheres e homens que tenham oferecido contribuição relevante à defesa dos direitos da mulher e questões do gênero no Brasil, em qualquer área de atuação. A atividade é parte do calendário do Dia Internacional da Mulher (8 de março).
Em 1975, a rio-branquense Eva Evangelista tomou posse no cargo de juíza substituta temporária da Comarca de Sena Madureira. Aprovada em concurso público de provas e títulos para o cargo de Juiz de Direito titular, Eva Evangelista tomou posse em 1978 como titular da mesma unidade judiciária.
Na resistência para superar a cultura patriarcal e a cultura do machismo, Eva Evangelista prosseguiu na magistratura, permanecendo em Sena Madureira até agosto de 1980, quando foi promovida para a 1ª Vara Cível de Rio Branco, onde ficou até 1984, quando ascendeu ao cargo de desembargadora.
Como desembargadora, a acreana abraçou o combate à violência doméstica e passou a promover a Semana da Paz em Casa, atividade com vistas à ações educativas contra a violência doméstica, reforçando a importância da denúncia contra os agressores, fortalecendo a Rede de Proteção à Mulher, oferecendo palestras e mutirões de audiências.
“É com muita emoção que recebo esta premiação do Senado Federal. Ser incluída entre 21 mulheres de expressão que contribuem, com o seu trabalho, para os direitos das mulheres, o meu desejo é compartilhar essa homenagem com o Tribunal de Justiça. Desde 2017 atuo na coordenação das mulheres em situação de violência doméstica e familiar e pelas atividades que venho desempenhando aprendi, e compreendo cada vez mais, a dor instalada nas famílias provocada pela violência doméstica e familiar, que considero uma chaga social que têm colocado o Acre em 5º lugar no número de feminicídios no país”, disse Eva Evangelista.
Sobre Bertha Lutz
A bióloga e advogada paulista Bertha Maria Julia Lutz foi uma das figuras mais significativas do feminismo e da educação no Brasil do século XX. Aprovada em um concurso público para pesquisadora e professora do Museu Nacional no ano de 1919, tornou-se a segunda brasileira a fazer parte do serviço público no Brasil.
Tomou contato com o movimento feminista ao estudar na Europa. No retorno ao Brasil, fundou a Federação Brasileira pelo Progresso Feminino (FBPF). Uma das principais bandeiras levantadas por Bertha Lutz na época era garantir às mulheres o direito de votar e de ser votada. Isso só ocorreu no Brasil em 3 de maio de 1933, na eleição para a Assembleia Nacional Constituinte.
Bertha Lutz foi eleita suplente para a Câmara dos Deputados em 1934. Em 1936 assumiu o mandato de deputada, que durou pouco mais de um ano. Ela faleceu em 1976, no Rio de Janeiro.